Quando eu fantasiava minha vida durante a faculdade sonhava com um pequeno apartamento em outra cidade, contas, faxina uma vez por semana e um trabalho tão exaustivo que não teria vontade nem de ver televisão de novo. Hoje estou na faculdade, realmente em outra cidade, mas o resto, não tenho, nem mesmo o trabalho exaustivo que me tiraria um dos meus maiores prazeres mundanos.
Finalmente quando me lembro da vida que tinha antes sinto uma enorme saudade, não só da rotina, mas principalmente da minha casa, minhas coisas e até mesmo dos problemas que tinha antes, problemas esses que hoje percebo, não eram nada comparado a minha vida atual, atribulada de ponta a ponta, mas o que fazer? É a vida! Não é?
Um pensamento que passou pela minha cabeça várias vezes durante essa transição Angra\Barra Mansa foi retornar pra casa, mas foi aí que eu percebi, não tenho mais casa lá, está alugada e o inquilino renovou o contrato com minha família por mais dois anos, foi aí que pensei: “Bom, posso alugar uma casa!”, mas foi quando me toquei: “Em Angra não vai dar, é o aluguel mais caro depois da Vieira Souto em Ipanema”. Porque tem que ser assim? Eu queria apenas um emprego, nem precisava de salário alto, apenas o suficiente pra ter meu canto, com as coisas feitas a minha maneira, porque se tem algo que me deixa frustrado é seguir regras de outras pessoas, e infelizmente é o que passo hoje, seguir regras, e não são minhas como sempre fui acostumado.
Mais frustrante ainda é perceber que sou um universitário, não sou uma estrela da comunicação social, mas estou dentro da média, e o fato de estar cursando o terceiro grau não me ajuda em nada. Quando eu estava no colegial achava que ter no currículo a frase “Universitário” abriria uma infinidade de portas, mas (sempre há um “mas”) é exatamente o inverso que está acontecendo. Até mesmo o Núcleo de Comunicação Social não continuou comigo, e olha que eu só atendia o telefone! (Nota – mais uma vez minha família está em guerra neste exato momento, e sempre na hora do almoço, sempre) Eu fazia de tudo no estágio, e quase tudo o que eu fazia não era minha responsabilidade, mas ao menos prestativo sempre fui, em todos os meus empregos os superiores exaltavam isso em mim, mas mesmo assim parece que não agradei, por mais que nós achemos que estamos fazendo tudo certo sempre tem alguém pra dizer o contrário. É como diz a velha frase: “É difícil agradar Gregos e Troianos”. Esse episódio em particular não me trouxe muita coisa boa, mas o contrário, trouxe mais frustração e desânimo, lá escutei coisas muito legais sobre quem eu sou para os demais, mas não daqueles que deveriam tê-lo feito.
Eu comecei a escrever esse post ontem (22/02/2008) e não tive tempo de terminá-lo por causa do horário da faculdade, recomecei hoje e claro, como não poderia deixar de ser, mal levantei da cama e o que recebo, um bom dia? Não, infelizmente não, mas sim um “porque você não desliga esse computador? Está gastando energia demais!” eu ainda tento argumentar, mas sei que todo o conhecimento do mundo faria o mesmo sentido que uma tempestade de sapos australianos. Eu sabia que minha presença incomodava, mas não esperava que fosse tanto, e esse é um dos motivos, se não o principal de eu querer ter minha própria vida. Ultimamente tudo tem me entristecido demais, e já é hora de fazer isso parar.
Sei que divaguei por seis longos parágrafos, mas escrever aqui é uma das poucas formas que tenho de desabafo, então, se tornei o seu tempo de leitura maçante demais peço desculpas, um dia chego lá! É como dizem, a prática leva a perfeição, ou ao menos a textos um pouco mais interessantes.