Arquivo | março, 2012

Pensando nessa tal de vida

17 mar

 

Como se mede o nível de fracasso de uma pessoa? Será pela quantia que se tem no banco? Pelas posses, ou a falta delas? Talvez até pelos “amigos” que possui, talvez não.

Uma coisa posso dizer com certeza, depende do tipo de fracasso que estamos falando. Eu me considero um vencedor em vários aspectos, como um batalhador que conseguiu fazer uma faculdade, mesmo com tudo contra. Um cara que estudou e trabalhou ao mesmo tempo, enquanto a maioria dos colegas de curso não precisava. Um cara que hoje tem  31 anos, 15 deles com carteira assinada em algumas empresas, e numa delas eu consegui ganhar um bom dinheiro. Mas isso foi em 2003, passou.

Quando eu decidi me mudar de Angra pra estudar não imaginei que a vida fosse ser um mar de rosas, claro que não, mas também não poderia imaginar que fosse ser tão complicada. Por um bom tempo morei sozinho, num apartamento alugado, mas a falta de um bom emprego e regularidade de pagamento não me deixaram ficar dessa forma por muito tempo, e fui obrigado a morar de favor na casa de parentes, meu avós. Os amo incondicionalmente, mas se eu pudesse escolher eu NUNCA iria morar com eles.

Todos dizem que lidar com pessoas idosas é complicado e tal, isso depende, vai de acordo com quem se está lidando. Conheço, tanto na família quanto fora dela, pessoas mais idosas que são fantásticas! Parecem ser mais novos do que eu, eternas crianças, enquanto aqui em casa a situação é outra. São, aliás, eram, meu avô se foi ano passado, pessoas complicadíssimas! Cheios de manias intransponíveis, rixas, brigavam o tempo todo, e eu sempre levava. O pior pra mim era ser chamado de vagabundo por estar sem trabalho fixo, eu trabalhava em casa, com freelancer, mas pra eles isso era vadiar. Certo dia minha avó me disse que eu devo ter algum problema sério, porque além de nunca parar com mulher nenhuma eu não conseguia parar em emprego nenhum, e que esse problema com certeza era eu. Como se hoje em dia pudéssemos realmente escolher nossos empregos assim. Hoje chegou a conta de energia, com medição errada, fato! A média é sempre de 100 reais, e a desse mês veio 170 reais. De quem é a culpa pelo aumento? Nem preciso dizer né! Instalei um reator de fusão de prótons no meu quarto e não to sabendo, e o pior, deve ser 110 v!

O fato de ter que viver dependendo de outras pessoas é péssimo, a não ser quando a pessoa procura isso. Eu odeio! Me sinto um nada quando paro pra refletir sobre a minha vida e os caminhos que ela tomou. O sucesso já deve ter passado na minha frente e eu não vi, e hoje, com trinta e um anos não vejo muito futuro pra mim. Pode parecer exagero à quem vê de fora, mas pra mim, no meu íntimo, é o que eu acho. Vou acabar vivendo de subempregos o resto da vida. Até nisso eu tenho levado tombo. Meu último emprego foi numa agência de publicidade, primeira experiência na área depois de formado. Adorava trabalhar lá, fazia a parte de criação, que é o que escolhi na profissão, até que um dia, quatro meses depois, fui demitido. Os motivos que o ex patrão relatou tinham fundamentos sim, mas tenho certeza de que tem mais coisa debaixo desse tapete, mas isso não vem ao caso. Num momento assim sempre temos a quem nos apoiar, como os pais, irmão e amigos VERDADEIROS. Em casa tive o apoio de todos, e críticas de alguns, silenciosas na maior parte do tempo, mas quem entende um mínimo de convivência com o ser humano sabe ler um texto inteiro só de olhar pro rosto de alguém.