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Réveillon em Copacabana, pura ilusão

3 jan

Acho que todo brasileiro já pensou em curtir sua virada de ano no Rio de Janeiro, mais precisamente na praia de Copacabana. Um momento que pra muitos é um sonho, às vezes distante, por morar em outros estados ou até mesmo em outros países. Pra mim que moro muito perto da capital do estado é fácil, cerca de duas horas me separam do cartão postal mais famoso do Brasil.

Durante toda a minha vida o meu destino de fim de ano foi Angra dos Reis, cidade onde cresci e onde estão minha família e amigos, mas nesse finalzinho de 2011 resolvi ir pro Rio com um grande grupo de amigos da época de faculdade e trabalho. Tudo acertado seguimos para lá. A maioria ficou em Copacabana mesmo, no apartamento de um dos amigos que já mora lá, e eu e mais um fomos pra Botafogo, onde é o apartamento da minha irmã, que estava vazio.

Nos dias anteriores ao grande momento havia sol, praia, curtição. Fomos à Lapa, uma das melhores opções de diversão noturna pra quem está com a grana curta, e curtimos muito! Mas, infelizmente, o tempo não ajudou e chuva caiu, inevitavelmente. E sem parar! Já era a Lapa, o Jardim Botânico, Cristo ou qualquer outro ponto turístico da cidade. O Rio Sul e os bares dos postos de gasolina perto de casa se tornaram nossos pontos de encontro.

O dia 31 estava mais próximo, e foi então que resolvi ir ao Rio Sul pra comprar as entradas para o réveillon do Costa Brava, no Juá, local pra onde iria toda a galera. Festa de elite total, o problema é que quando chegamos à loja o valor tinha pulado de 350,00 para 450,00! Claro que não paguei, afinal, seriam duas entradas. Nos restou o tão falado réveillon na praia de Copacabana… e foi aí que o martírio começou!

Às 20hs já estávamos prontos pra sair, e a chuva não parava! Imaginem só, todo mundo vestido de branco, perfumado e pronto pra mulherada e a porcaria da chuva não dava trégua! Saímos do apartamento caminhando, já que ônibus e metrô estavam impraticáveis, além do fato de morar na Rua Gal. Severiano, do lado do Plaza Shopping e do túnel de acesso à Copa. A ida já foi tensa, as ruas lotadas, trânsito totalmente parado e muita sujeita pelo caminho, o que só contribuiu pra sujar ainda mais nossas roupas. Paramos no posto perto de casa pra comprar mais cerveja e seguimos pelo túnel.

Finalmente a praia, que beleza não! É, não mesmo! O lugar estava um inferno de tão cheio, as ruas pareciam rios de gente, fluindo o tempo todo em direção à orla! Paramos numa tenda pra comprar mais cerveja e tivemos nossa primeira surpresa, R$7,00 POR UMA LATA DE ANTÁRCTICA!!!! Se ao menos fosse uma Bhrama eu até pagava. Dali seguimos pra areia e tentar arrumar um lugar pra ficar à beira-mar. Levamos quase 20 minutos pra atravessar a faixa de areia, SEM SACANAGEM! Não existia espaço, fora que a beira do mar era um mictório a céu aberto! Sem chance de passar a virada de ano com milhares de pintos e cheiro de urina do lado da gente né!

Eu estava ali no meio!

Sendo assim subimos de volta em direção à Av. Atlântica, mais 20 minutos de obstáculos, e a chuva não dava trégua. Neste momento nossas roupas já estavam completamente enxarcadas, o dinheiro no bolso quase se desfazia de tão molhado. Logo que chegamos no asfalto o telefone de um dos amigos toca (maluco de ter levado o iPhone e o Blackberry pra lá), era a namorada pedindo pra encontrar com ele ATRÁS DO COPACABANA PALACE!!!! Quem em sã consciência usa esse lugar como ponto de encontro??? Metade do planeta está exatamente ali! Enfim, seguimos contra a correnteza humana, e foi aí que começou a pior parte da noite. Além da chuva forte que teimava em cair sem parar, fomos sendo esmagados caminho afora! Em muitos momentos a multidão estacava e o resultado era o esmagamento. Por vezes senti mãos dentro dos meus bolsos, ainda bem que não levei nada, nem documentos. Quando paramos ao lado de uma van vimos uma cena que ainda não saiu da minha cabeça, uma família (de imbecis) tentava também subir em direção à Av. Nossa Srª de Copacabana com duas crianças de colo, aparentavam ter menos de 1 ano! Onde já se viu levar bebês pra esses locais, sem segurança, os deixando na chuva, com frio e chorando!

Depois de muito esforço e muitas pisadas nos pés conseguimos chegar. Aproveitei pra comer um milho verde, que é o que tinha na hora, e compramos mais algumas cervejas. Depois de uns 20 minutos a garota aparece e nos faz andar uns 2 quarteirões até outra rua paralela pra encontrar o resto dos seus amigos. Como a meia noite se aproximava e o povo não se mexia eu e meu amigo resolvemos sair dali e ir em direção à praia.

Já na Av. Atlântica mais uma vez meu camarada precisava desesperadamente de um banheiro, ele tem problema nos rins e não pode segurar muito tempo. Incrivelmente não havia nenhum banheiro químico nas proximidades, apenas dentro das áreas delimitadas para os ditos “VIPS” e para os funcionários da prefeitura. Pedimos pra várias pessoas para que ele pudesse usar, mas em vão. Não teve jeito, ele se aliviou atrás de uma ambulância mesmo!

Por fim, cansados de andar, com frio pela chuva forte e o vento resolvemos parar no canteiro central da pista na altura do posto 4. Ficamos debaixo de uma árvore aguardando o tão esperado momento. Enquanto esperávamos torcemos nossas camisas pela segunda vez!

Finalmente começamos a escutar a contagem regressiva pelos auto-falantes da praia, e no zero acabamos de boca aberta com o único momento realmente válido daquela noite. A queima de fogos foi a mais espetacular que eu já vi na vida! Foram quase 20 minutos de espetáculo, muito bem sincronizado e desenvolvido. Chorei, é claro, lembrando de tantos momentos bons, ótimos e também os ruins de 2011. Agradeci à Deus pela vida e pela família.

Ao término do show de fogos a certeza não era outra, DIRETO PRA CASA! Show do David Guetta? Nem pensar! Seguimos andando junto ao fluxo de pessoas em direção ao túnel, e pela primeira vez eu vi o trânsito completamente parado entre Copacabana e Botafogo. Atravessar o túnel foi tranqüilo, e engraçado em alguns momentos. Muita gente bêbada, se arrastando pelas paredes, caídas no chão, apoiadas em ônibus…. coisa feia de se ver, mas engraçado! Quando passamos do Rio Sul aproveitamos pra ir no posto comer um sanduíche e comprar mais cerveja, dali viramos a esquina e entramos em casa. Só aí percebi o quanto estávamos sujos! O jeito foi tomar um belo banho, ligar o ar condicionado e dormir, o melhor momento da noite de réveillon!

Virada de ano em Copacabana? NUNCA MAIS!!!! Junte uma grana e compre uma entrada pra qualquer clube da alta, pro jóquei, ou até mesmo pros quiosques da orla, mas nunca, NUNCA na sua vida enfrente a multidão alucinada na praia. Tenho certeza de que não será agradável!

“E teje dito”